sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Conhecendo Um Novo Mundo

Quando se tem uma Estória para contar um novo mundo surge em algum lugar. Um lugar etéreo o qual sua existência depende da imaginação de quem o cria.

Mas apesar desse mundo existir apenas pela imaginação e o autor ter total controles sobre esse mundo é necessário conhecer-lo a fundo o que muitas vezes é um processo difícil e doloroso. É preciso saber as regras que regem esse mundo, como ele é, como é o tempo que age sobre ele, conhecer seus lugares, até onde ele vai, onde ficam suas paredes, quais são as paredes pelas quais podemos passar, quais são intransponíveis, até onde podemos ir. Conhecer seus moradores, nossos personagens, quem são, como são o que fazem para viver, quais suas necessidades, seus desejos, motivos e razões, como são suas vozes.

Conhecer esse mundo é essencial, demanda tempo e trabalho. Outro problema é que não existe um método que possa ser seguido. Dependendo do trabalho as abordagens são diferentes. Em alguns trabalhos é necessário se conhecer primeiro os personagens, saber de sua história de vida, o que gosta de fazer, onde trabalho, quanto dinheiro ganha por mês, se já amou alguém se já foi traído ou traiu. Em outros trabalhos é mais conveniente primeiro estabelecer a relação entre personagens rasos e a partir do drama os personagens ganham forma. Em alguns trabalhos é necessário ter em primeiro lugar o mundo físico onde os personagens vão viver seu drama, normalmente existe essas necessidades em filmes onde o cenário é mais um personagem dentro do filme.

O processo de descoberta desse mundo acontece de várias formas, o papel e a caneta são sempre os grandes aliados, escrever o maior número de informações possível é a primeira coisa a se fazer. Muitas vezes é é preciso escrever uma enorme quantidade de informação mesmo que nenhuma dessas palavras aparece realmente no roteiro final, essas informações são a base de sustentação para o roteiro.

Muitas pessoas acreditam que o trabalho do escritor é um trabalho solitário. De certa é verdade, principalmente no Brasil, o ato de escrever normalmente é feito por apenas uma pessoa, que cria a estória e a escreve. Mas principalmente o escritor é solitário em sua responsabilidade com as decisões dentro da estória, ele é o único que tem o poder de agir sobre os personagens e suas ações.

Porém o processo de descoberta desse novo mundo não é algo que se deve fazer sozinho. Contar a estória é a forma mais útil para se conhecer o novo mundo. Emprestar os ouvidos de alguém é uma forma de você conhecer a própria estória, as várias vezes que se conta a estória para alguém é uma nova versão e assim as regras do mundo tomam forma. Além disso contar com alguém que te ouça é uma forma de ter um feedback imediato, o que abre questões que devem ser respondidas. A pessoa que te ouve deve servir como advogado do diabo, criando perguntas e questão que vão direcionar a estória.

Esse novo mundo, por ser um mundo ficcional primeiramente parece que se tem total liberdade de criação dentro dele. Porém é indispensável a criação de regras e barreiras para contar sua estória. Robert Mckee chama de Limitação Criativa. Ele cita as convenções de gênero como barreiras que devemos respeitar e pensar para fugir de um clichê.

“O evento garoto encontra garota em uma Estória de Amor não é um clichê, mas um elemento necessario da forma – uma convenção. O clichê é quando os dois se encontram da maneira que os amantes sempre se encontram e estórias de amor... “(Mckee, Story, pg96)

Porém não é meu intuito falar de gênero no momento mas sim da limitação criativa em si.

Fazer cinema no Brasil é uma enorme lista de restrições. Quando criamos uma estória em nossa cabeça temos a liberdade total, porém quando o roteiro passa por uma análise e se faz um orçamento, nunca se tem todo o dinheiro que se gostaria, então começa-se a cortar o roteiro.


Por isso é muito interessante utilizar da ideia de limitação criativa, que é a busca de uma nova forma de se contar algo quando estamos cercados por barreiras. Essas barreiras no Brasil a grande maioria das vezes são financeiras.

Por isso a necessidade criar estórias que possam ser contadas com número reduzido de cenários, poucos atores e que respeitem as possibilidades de produção de cinema no Brasil. A produção de filme de baixo orçamento ainda é a melhor saída tanto para produtores que estão começando, quanto para grandes produtoras, que tem que ter um ritmo de produção de pouco custo e maior retorno possível.

Foi com essa visão que crie o roteiro desaparecidos no silêncio. Como contar uma estória da forma mais barata possível? Assim restringindo a uma locação, um pequeno número de personagens. Mas isso cria grandes barreiras que só podem ser quebradas com criatividade. Fugir da saída fácil abre novas linhas que devem ser levadas em consideração, não importa quão estapafúrdia for a ideia ela deve ser anotada e levada em consideração.

Um comentário:

maximumforma.com disse...

Cipriano muito bacana seu blog show de bola desjo muito sucesso em sua caminhada e objetivo no seu Hiper blog e que DEUS ilumine seus caminhos e da sua família
UM grande abraço e tudo de bom
Ass:Rodrigo Rocha